Calor, chuvas e secas: por que a crise climática deve pesar no voto em 2026

Brasileiros cobram soluções para a crise climática e são responsáveis por quem deve desempenhar a tarefa
Fotografia mostrando um grupo diverso de jovens e adultos ajoelhados em uma encosta de vegetação rasteira, plantando pequenas mudas de árvores. Ao fundo, um viveiro coberto por tela de sombreamento e montanhas. A imagem ilustra uma ação comunitária de reflorestamento, servindo como uma metáfora visual para as escolhas cuidadosas que os eleitores devem fazer nas urnas para semear o futuro ambiental do país.
Votar com consciência é como semear um futuro melhor | Foto: Projeto Preserva

 

A urgência da crise do clima deveria colocar no centro do debate o meio ambiente nas Eleições 2026. Os eventos climáticos extremos exigem que a escolha nas urnas seja guiada por um pragmatismo focado na sobrevivência.

Há alguns dias, o Observatório do Clima divulgou uma análise dos programas dos candidatos mais bem colocados nas pesquisas para a Presidência da República, quanto a propostas consideradas robustas para clima e meio ambiente. Entre compromissos positivos e projetos “claramente antiambientais”, organizações que fazem parte da rede destrincharam os planos de governo apresentados à Justiça Eleitoral e a atuação pregressa de cada candidato, já que, segundo a publicação (e a sabedoria popular) “papel aceita tudo”.

De acordo com Márcio Astrini, secretário executivo do Observatório do Clima, “a maioria dos presidenciáveis tem planos fracos ou inexistentes para o tema. Um dos candidatos, inclusive, é um negacionista convicto”. Não nos cabe avaliar os resultados publicamente, já que o ambiente está polarizado e tenso em demasia. Mas, se você quiser saber os detalhes, a análise completa está neste link.

 

A cobrança pela pauta ambiental

 

O que se deve trazer à tona é se esse assunto está sendo levado em conta nas campanhas, nos mandatos e, fundamentalmente, na hora do voto. De alguns anos para cá, as escolhas eleitorais vêm sendo decididas menos com a razão, e até mesmo com o coração, do que com o fígado. Vota-se com ódio ou por exclusão.

O voto consciente, em infeliz extinção, costuma levar em conta propostas para educação, saúde, economia, segurança e, claro, a ideologia. Porém, uma variável importante está se impondo: o meio ambiente. Nosso presente e nosso futuro. Nossa existência e nossa sobrevivência.

É também do Observatório do Clima a pesquisa “Clima e meio ambiente na percepção dos brasileiros”, realizada pela Ipsos, que detectou que 91% dos brasileiros cobram propostas contra a crise climática nas Eleições 2026. Os dados foram divulgados na última semana, quando as atenções estiveram voltadas para a confusão que se formou e foi levada a plenário no Supremo Tribunal Federal, tendo escândalos e propósitos eleitoreiros como pano de fundo.

 

A crise climática nas urnas e o papel do Legislativo

 

A população já reconhece (como a Juliana Perdigão costuma dizer acertadamente, “sente na pele”) que o calorão, a chuva intensa e as secas prolongadas, eventos em níveis extremos, estão afetando a vida de todos. Então, por que não levar essa questão à cabine de votação? E, aqui, cabe um alerta: não são apenas os presidenciáveis e aspirantes ao executivo estadual que deveriam estar envolvidos nesse debate. O Legislativo, com candidatos a senador, deputado federal e estadual, é quem, por óbvio e definição, legisla: ou seja, cria, aprova (ou não) as leis.

São essas pessoas que podem definir o rumo do país. E que, nos últimos anos, ganharam uma importância gigantesca, ainda que grande parte da população seja míope e mantenha o foco exclusivamente no Executivo (e, mais recentemente, por razões não muito republicanas, no Judiciário).

Eleição é coisa para se decidir com cuidado. Literalmente, na ponta dos dedos.

 


 

Artigo publicado originalmente na coluna do Projeto Preserva, no Jornal Diário do Comércio

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