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Instituto Terra: um lugar e um método de recuperação ambiental

Atualizado: 29 de mai.

Pesquisa científica e trabalho técnico ajudam a restaurar a mata atlântica na bacia do rio Doce

 
Vista do mirante da RPPN Fazenda Bulcão, recuperada e cuidada pelo Instituto Terra - Foto: Odilon Amaral

Ao pensar em visitar uma reserva natural, o que vem à sua mente? Se for um lugar apenas cercado de verde e de silêncio, você vai se surpreender. No Instituto Terra, em Aimorés (MG), o burburinho da pesquisa científica e da educação ambiental se ramifica em vários ecossistemas de atividades, mimetizando a riqueza da mata atlântica que se preserva ali.


Sede do Instituto Terra, na Fazenda Bulcão, em Aimorés (MG) - Foto: Leonardo Merçon

A visita ao Instituto Terra


Depois de passar pela portaria, que fica praticamente dentro da cidade, chegamos à recepção instalada no lugar do antigo curral. As estruturas de madeira foram mantidas e são as únicas lembranças do períodos de agropecuária na Fazenda Bulcão.


Exposição de fotos de Sebastião Salgado no antigo curral da fazenda - Foto: Juliana Perdigão

Quando o fotógrafo Sebastião Salgado e a arquiteta Lélia Salgado decidiram criar ali uma floresta, toda a área estava devastada. Em 1998, eles conseguiram transformar o que era um pasto numa RPPN -Reserva Particular do Patrimônio Natural. O primeiro plantio foi em 1999, com a participação dos alunos das escolas da cidade. Ano após ano, conseguiram apoio de parceiros para novos plantios até que, em 2019, 2 milhões de mudas estavam plantadas dentro da reserva.


Imagens da sede da Fazenda Bulcão antes e depois da recuperação da área - Fotos: redes sociais do Instituto Terra

Antes de chegar à reserva, passamos pelas principais áreas de pesquisa do Instituto. O consultor técnico Pieter-Jan Van Der Veld nos mostra o laboratório das sementes coletadas na mata. Ali elas são contadas, classificadas e identificadas.


Pieter-Jan Van Der Veld (dir.) no laboratório de Sementes - Foto: Odilon Amaral

Holandês, Pieter brinca com a coincidência do nome: “Se eu for traduzir, meu nome seria: Pedro João do Campo.” Ele explica a diferença entre reflorestar e restaurar florestas.


Pieter é consultor técnico do Instituto Terra - Foto: Odilon Amaral
“Reflorestar é fazer replantio, colocando de volta a floresta que existia ali. Restaurar é trazer também o ecossistema que existia naquele lugar”.

Isso significa fazer também a recomposição do solo, restabelecer a cobertura vegetal. A seleção das sementes é uma etapa importante nesse processo. Elas são usadas na produção de mudas do viveiro, nossa próxima parada. Os canteiros verdes se espalham por uma área que se multiplicou nos últimos anos. O viveiro começou com capacidade para 80 mil mudas, doadas pela Fundação SOS Mata Atlântica e pela Conservation International do Brasil. Em 2002, o Ministério do Meio Ambiente financiou a ampliação para 400 mil mudas por ano. Em 2008, depois de um convênio com o Fundo de Recuperação, Proteção e Desenvolvimento Sustentável das Bacias Hidrográficas, começou a expansão para a produção de 1 milhão de mudas por ano.


Sequência de fotos do viveiro de mudas do Instituto Terra - Fotos: Odilon Amaral


As mudas são usadas para o plantio na reserva e em projetos fora do Instituto Terra. Conheça um desses projetos na segunda parte dessa reportagem, aqui.


Durante a visita, encontramos dois integrantes de uma equipe europeia de velejadores. Helene e Jimmy registraram os projetos de conservação do Instituto Terra. Eles viajam o mundo com a equipe Malizia e ganharam a etapa de chegada ao Brasil pela competição The Ocean Race.


Helene Katz e Jimmy Horel são da equipe Malizia de velejadores europeus. Eles registraram a visita ao Instituto Terra - Foto: Odilon Amaral

Seguimos com as técnicas ambientais Wilmarline, Eline e Dhuliana, que se especializaram no Instituto Terra e foram contratadas em seguida. Elas nos levam à escola que fica dentro do Instituto, bem próxima à recepção: o Nere -Núcleo de Estudos em Restauração Ecossistêmica- recebe alunos formados em cursos técnicos da região. Eles podem morar por um ano dentro do Instituto Terra e recebem formação teórica e prática sobre uso sustentável dos recursos naturais e técnicas alternativas para a qualidade de vida das populações rurais.


Alunos da turma do Nere - Foto: Odilon Amaral

Arlon Mattos se formou no Nere e hoje é orientador educacional.


"As atividades são 80% práticas. Então os estudantes acompanham os trabalhos dos colaboradores em todos os setores. Além disso, os alunos adquirem muito desenvolvimento pessoal, porque a formação humana também é um ponto forte", diz Arlon.

O professor Arlon Mattos foi formado no Instituto - Foto: Odilon Amaral

No fim da tarde, pegamos o caminho para entrar na reserva. Dirigimos por cerca de 20 quilômetros na estrada dentro da RPPN Fazenda Bulcão. Inacreditável pensar que tudo que está ali foi plantado numa área que foi devastada pelo pasto. Hoje, são 709 hectares de mata atlântica e, para as 2 milhões de árvores plantadas, foram usadas 290 espécies nativas.


Área restaurada de mata atlântica, na reserva do Instituto Terra - Foto: Odilon Amaral

No caminho, avistamos gaviões e alguns outros pássaros. Até agora foram identificadas 172 espécies de aves, sendo seis delas ameaçadas de extinção. Pelo menos 33 espécies de animais já foram identificados na reserva, entre eles a onça parda e a jaguatirica.


Galeria de fotos de exemplares de espécies identificados na reserva - Fotos: Leonardo Merçon


No topo da reserva, chegamos ao mirante. O vale verde coberto pela floresta é um refúgio de vida num bioma que vem perdendo espaço em todo Brasil. A região da mata atlântica corresponde a 13% do país, segundo o MapBiomas. A formação florestal, que era apenas de 27,1% em 1985, caiu ainda mais, para 24,3% em 2021. As áreas de cobertura vegetal são fundamentais para trazer de volta um elemento básico para a continuidade de todas as atividades do campo e da própria vida: a água.


A experiência na RPPN Fazenda Bulcão comprovou que, com a recuperação verde, as nascentes voltam a jorrar. Por isso o trabalho do Instituto se ramificou mais uma vez, agora em direção à comunidades rurais fora dos limites da reserva. Nós também acompanhamos essa história, que contaremos para você na segunda parte dessa ida ao Instituto Terra.


O fotógrafo Sebastião Salgado - Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Como agendar a vista ao Instituto Terra


Por enquanto o Instituto Terra está aberto apenas para as visitas em grupo. O horário de funcionamento é de terça-feira a domingo de 8h às 11h e de 13h às 16h, com o agendamento prévio.


O valor da entrada inteira é de R$ 30,00 por pessoa do grupo.

O valor da meia entrada é de R$ 15,00 por pessoa do grupo.


É preciso verificar a disponibilidade de data para o agendamento no e-mail visitas@institutoterra.org.

Telefone: (33)3267-2025

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