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O Bicho de Pedra Azul

Atualizado: 8 de out. de 2023

O que um descendente da "assombração" diz sobre a lenda do "lobisomem mineiro" -

 

Centro histórico de Pedra Azul, em Minas Gerais - Foto: Igor Rocha

Imagina viver numa cidade onde, durante a madrugada, um antigo morador deixa sua sepultura e se transforma numa criatura com corpo de animal? Os pelos que ficam agarrados nas rachaduras do túmulo são as evidências de que o "lobisomem mineiro" está à solta.


Essa é a lenda do Bicho de Pedra Azul, no Vale do Jequitinhonha, em Minas Gerais. A versão mais conhecida é a de que um rico fazendeiro, que morreu por volta de 1900, em Fortaleza de Minas, antigo nome da cidade, assombra os moradores como lobisomem. Reza a lenda que Joaquim Antunes foi sepultado no cemitério que ficava no centro de Pedra Azul e teve que ser reconstruído em outro lugar. As sepulturas precisaram ser transportadas. Durante esse trabalho, o coveiro teria notado que o caixão de Joaquim era muito pesado e quando abriu, para surpresa dele, o corpo estava em perfeito estado de conservação.


No novo cemitério, a sepultura rachou e quando o coveiro foi verificar, não havia mais corpo, mas, sim, muitos pelos de animais agarrados às rachaduras.


A partir de então, a história do homem que deixa o túmulo e aterroriza os moradores se espalhou. A lenda passa por gerações e, até hoje, a história do Bicho de Pedra Azul é interpretada por estudantes de uma escola municipal da cidade.


Caracterização do lobisomem mineiro feita pelos alunos da Escola Municipal Vereador Levy Roberto - Foto: registro da Secretaria Municipal de Cultura de Pedra Azul

O Bicho de Pedra Azul existiu?


O fazendeiro de fato existiu: Joaquim Antunes de Oliveira nasceu no norte de Minas Gerais em 1799 e se mudou ainda menino para Pedra Azul, no Vale do Jequitinhonha.


O tataraneto dele, Heitor Almeida, conversou com o Projeto Preserva. Ele é compositor, escritor e vive na França. Tomou posse na Academia de Letras do Vale do Jequitinhonha, que acabou de ser criada.


Heitor Almeida é escritor e tataraneto do fazendeiro que deu origem à lenda - Foto: arquivo pessoal

Heitor conta que o tataravô foi realmente um fazendeiro, tido como um homem diferente no lugar, porque gostava de tocar piano, ler e escrever. Ele se casou três vezes, teve muitos filhos e decidiu se recolher na velhice, deixando a barba e o cabelo crescerem.


“De fato, quando morreu, ele foi enterrado no cemitério que ficava no centro da cidade. O cemitério foi retirado do centro de Pedra Azul e todas as sepulturas, transportadas para o novo local, mais afastado. De repente, houve uma chuva forte com enchente e enxurradas, no início do século XX. Por isso, várias sepulturas racharam”, conta Heitor.

Como começou a lenda do Bicho de Pedra Azul?


Heitor diz que havia uma forte disputa pelo poder nessa época e que os descendentes de Joaquim Antunes formavam um grupo político.


“Depois da tempestade, além das rachaduras nas sepulturas do cemitério, vários animais apareceram mortos na cidade. Então os adversários políticos dos Antunes criaram a lenda de que o patriarca da família havia se transformado em monstro.”

A lenda ganhou tantas versões quanto nomes: além de Bicho de Pedra Azul e Bicho de Fortaleza, também é chamado de Bicho da Carneira, em referência ao primeiro túmulo de Joaquim Antunes, construído em formato de gaveta, chamado de carneira.


Heitor lembra que a história se tornou a desculpa perfeita de qualquer morador que precisasse justificar um erro.


“Com o tempo, tudo era culpa do Bicho: o vaqueiro, que perdeu o gado por preguiça de guardar, falava para o dono da fazenda que o Bicho de Pedra Azul havia matado os animais. Assim, a lenda foi se espalhando.”

Os descendentes do Bicho de Pedra Azul


Heitor diz que, hoje, a família gosta se reunir para contar as várias versões que escutam.


“No passado, quando a lenda era mais forte, muitos Antunes chegaram a mudar de nome. Hoje, não é assim. Eu comecei a fazer encontros com toda a família Antunes em 1989 e é comum a gente dizer com alegria: ‘sou neto do Bicho, sou a terceira geração do Bicho’. Damos boas risadas com as histórias que aparecem sobre ele”.


Como a Inteligência artificial imagina que seja essa lenda do século passado?


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